Esse olhar já não reconheço, não sei o que se passa mais, percebo apenas os detalhes mas não consigo visualizar o todo.
Essa sensação pode ser o sinal do terremoto, o vento frio do sul anunciando um inverno duradouro, ou apenas mudanças inevitáveis.
Tudo agora começou a passar lentamente, já não tem mais música de fundo, apenas o apito ensurdecedor do silêncio.
As cores se foram, os desenhos apagaram, as canetas secaram, sobrou apenas o papel em branco, a sala vazia, já não há mais discursos, descontos ou discórdias... Acho que chegou a hora de decidir qual caminho arriscar, se ficar ou partir, se desistir ou pular agora de braços abertos nesse profundo branco e colorir novamente com a unica cor que ainda nos resta e pulsa sem parar, e a unica que com o tempo muda quando coagulada,
Essa tinta ainda um dia, há de escapar!
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