Foto: Claudio Silveira

Frase da Semana

''The grass was greener
The light was brighter
The taste was sweeter
The nights of wonder
With friends surrounded''
Trecho da Música ''High Hopes'' - Pink Floyd

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Fantasma

Aquela época ia se aproximando,
as memórias estavam surgindo novamente, como sempre faziam.
Eram fantasmas do passado, agora se fundindo com os do presente.
Mais uma vez estavam lá a espreitar, esperando ele dobrar a esquina.

Aos poucos, todos os tempos vividos e também todos os que não foram vividos,
devido a sua saída opcional dessa realidade,
viraram fotos de um álbum de recordações, que nunca existiu.

A sensação de não poder estar mais lá, também era profundamente marcante,
mas ao mesmo tempo,era a proteção que ele queria.
Era simplesmente poder viver junto e feliz,
errando e acertando
porém sem julgamentos, ou cobranças inesperadas.

Mas em um dia,
recordou daquela noite em família,
os avós já idosos, geradores de uma grande prole,
os parentes próximos e os não tão próximos se reuniram.
era só o inicio do fim.

Naquele momento ele nada conhecia,
apenas estava alegre por esperar um presente, de alguém que de longe viria.
A árvore montada, a música tocando na vitrola,
E foi assim que tudo mudou.

O medo de hoje,
é um apagão do passado, somado a rejeição de outro dia,
ou talvez ao fato de não tolerar a manipulação de seus pensamentos.
Acredita fixamente naquele ponto, cria um foco único, confia e se entrega.
Passa o tempo e se arrebenta no caminho,

Mas aprende,
 que um ponto é mais fácil de apagar da vida, do que o texto inteiro.

Foto: André Abreu - Virada Cultural de 2009 

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Euforia

Foto: Carolina Teixeira



Começo a reparar diariamente no cotidiano da cidade, como funciona, como as pessoas se relacionam com ela. Não consigo tirar os olhos da paisagem, nem por um segundo. Faço sempre o mesmo caminho, mas cada dia vou reparando e descobrindo mais detalhes.

Um dia desses, um pássaro voo por um bom tempo ao lado do vagão do metrô, parecia que brincava de apostar corrida com o trêm. 

Durante aquele periodo, minha mente voo junto, para um lugar mágico, não pensava em nada, apenas sentia aquele momento como se estivesse voando junto, livre, sem jugamentos, sem medo, nada me preocupava. 

Uma emoção intensa me dominou, podia sentir o esforço daquele animal tão perfeito, sua determinação em continuar mesmo sem saber o que estaria por vir. 

Por um instante comecei a olhar e já não via mais o pássaro, via um rapaz jovem de olhos tristes me fitando através da janela do trem, era eu mesmo, como aquilo era possível  - respirei fundo e senti o vento bater no rosto.
E lá estava eu novamente, olhando aquele animal.   

O voo acabou, pássaro para um lado, eu pra outro, e toda a fantasia foi embora, os problemas voltaram, a dor percorreu o corpo, e mais uma vez sozinho estava eu.

Só que dessa vez mudei e aprendi, que todos os dias, não precisam ser amargos e sem graça, depende de nós mesmos pegar o real e transformar em ideal.
São pequenos detalhes que nos fazem sorrir, e se for necessário se agarrar apenas a eles para viver bem, isso já é o suficiente.


quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Luz inesperada

Não falta nada, mas falta tudo
Espero a luz acender com muita aflição,
mas quando ela acende, me faltam as palavras
estremeço, me perco
quero falar, quero dividir o peso, mas não o faço
desconecto, volto pro começo.
Sinto falta do sabor,
que acaba com a dor.

Momentaneamente,
Esfrego os olhos para ter certeza que vejo,
respiro fundo e escrevo,
aos poucos tudo vai passando.
Mas até quando isso vai durar?
Agora é culpa do silêncio, invadido
pelo respirar do computador,
não me deixa pensar,
me mexo na cadeira, e agora é ela
que está  incomodando,
É tarde, é muito tarde
para retomar o ar.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Fale com ela

Não quer dizer, mas ela quer saber,
Espera que conte tudo, quer dividir o peso
A comunicação estava um pouco fragmentada,
Entendia uma coisa, quando ela se referia a outra.
Mas foi conversando claramente, sem usar máscaras ou metáforas
Numa noite quente e movimentada, 
Que tivemos pela primeira vez, uma conversa tão sincera.

Era a mudança se instalando, 
tendo em vista que, nunca antes no tempo
Por mais próximos e unidos, 
Nunca estava tão claro o pensamento.

Ela escutou, e por pior que fosse, tentou entender,
Ficou feliz de saber, que agora estava realmente sabendo de tudo,
e que fazia parte,
Que juntos estavam bem,
E que não valia de nada, achar que a dor acabaria, 
se virasse as costas, e fosse para outro planeta.

Hoje já estão tão unidos,
Já são tão parte um do outro, que para fugir
não basta voar pra bem longe
Só morrendo por dentro
e renascendo oco. 

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Pólos e linhas imaginárias

A janela estava fechada, protegia o interior,
a manhã já estava chegando, calmamente encontrando uma pequena fresta para tomar o quarto todo,
foi num desesperado momento que aquele ambiente escuro, se encheu de luz.
Tudo estava diferente agora, o coração já não pesava tanto,
era a ferida cicatrizando,
Foi até a janela, deixou a luz entrar,

brindou o momento com o ar gelado da manhã.
Respirou fundo e ganhou um presente,
Tudo estava amarelo, a árvore em frente a sua casa estava se renovando,
Seus olhos se encheram de felicidade, foi ai que entendeu.
Todos os momentos são cíclicos, como os círculos, que a tempos viu no céu.
Para alguns o círculo é percorrido depressa,
para outros pode demorar anos,
portanto, entre nesta roda gigante e não fique desesperado com a altura
Ela sempre volta, um dia te coloca no céu, no outro te leva direto ao chão.





quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Escutando

Escuto falar,
Escuto e reflito,
isso é complicado, pois descubro o que não quero saber,
Já foi o tempo que não fazia sentido,
foi o tempo e eu percebi, que diferentemente das outras vezes,
era mentira, era a tentativa de dizer o contrário.
Não visita, só espera a rotina
Proibiu e agora perdeu o controle.
Perdi o controle, e me mudei,
Sei que existem outros mundos também
Só não me faça pensar que fui escolhido,
São só apenas batalhas pessoais,
Decidi, 
Mas será que consigo respeitar meus desejos?


terça-feira, 30 de agosto de 2011

Rara explosão

Assim como o Sol, e seus de picos de atividade, e tudo o que causa nos planetas, começo a relembrar daquele verão em que tudo era novidade. Os amigos estavam todos juntos pela última vez. Naquele passado distante sob o Sol, iluminados, irradiados e alucinados por tudo que estavam prestes a viver naquela última semana juntos. Não dormiam, queriam aproveitar tudo, farrear, rir sem parar. 

Tiveram experiências incríveis, conheceram gente que nunca mais viram, mas lembrar desses acontecimentos, remetem minha mente ao Sol e sua rara e solitária explosão.

Seria um sinal que, de tempos em tempos ele estivesse recarregando suas forças, para pedir ajuda de um amigo distante?

Vivendo lá sempre rodeado, não consegue se aproximar de ninguém, quer voltar para aquele verão, quer poder se esquentar novamente como já não consegue mais.

Manda sinais desesperados, gasta de 11 em 11 anos suas forças para tentar contato, sempre frustados,
um dia o analista lhe falou sinceramente, que esse tipo de atitude estava já passando dos limites, que sua obrigação era apenas iluminar calado.

Segue então o Sol, dia a dia no seu vazio espacial, 
Irradia, em uma composição espectral
Não por opção, apenas por distração, organiza o futuro, mantém vivo, 
mas não desiste das mensagens sazonais.



segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Palpite

Parece que quanto mais fugimos de situações embaraçosas, mais surgem oportunidades para que isso aconteça. São nesses momentos que me arrependo de ter tentado ser  simpático, quando minha vontade era de explodir. Já não posso mais com trivialidades de igreja de sobre loja, já não suporto esse ar de superioridade, quando que, pra ser alguma coisa sempre precisou do empurrãozinho alheio.

Afinal de contas será que foi opção ou falta dela, escolheu a dedo ou foi desespero?

Senti raiva, muita raiva, me controlei, absorvi, estou ficando preparado, em uma única noite consegui ouvir tudo o que não queria.  Algo me dizia horas antes – Não vá, você sabe o que vai acontecer!  – mas como sempre passo por cima da voz da minha consciência insana.
Algumas pessoas, devido a sua imensa mediocridade se alimentam da felicidade alheia, mas são justamente essas, que sabem escolher cuidadosamente suas presas. Fui uma presa, agora escolhi a cor, escolhi o sentimento e juro pra mim mesmo, que não vou mais deixar a porta aberta.

Viver esses pequenos conflitos internos é um caminho extremamente impiedoso, não é fácil encontrar atalhos, não é fácil achar a saída, não há placas, mas por todos os lados vem palavras de ordem.
Decidi não obedecer mais, 
decidi dizer não, 
decidi que agora não vou mais só absorver todo essa maldade, 
mas sim escarrar o dobro de veneno.
Porque ou ele sai ou me mata de desespero!


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A Casa das memórias perdidas

Solitária, abandonada, era ela.
Estava lá destelhada e sem vida, mas por um momento tudo começou a girar e transportado para outro tempo pude apenas como observador, rever sua existência, sua importância, e por fim seu destino. A caminhada até lá, não é das mais complicadas, mas o relvado tomou conta do caminho, alguns buracos e galhos que imitam serpentes também, vale respirar fundo e sentir o ar puro, adocicado pelas flores nativas. 

Esse caminho, não é apenas uma estrada antiga a ser vencida, mas sim um portal de transformação, pode purificar, como também pode aprisionar, faz renascer e também morrer.
Sendo uma estrada velha de terra, que não tem mais sua rota marcada pelos carros inocentes, vive tranquila. 

Passar por lá, é um momento único, mas algumas regras devem ser respeitadas, a principal delas é o silêncio, o total silêncio deve ser mantido, apenas o som natural da floresta deve se fundir com roçar da relva na barra da calça, o momento deve ser de total desapego,  as curvas vão surgindo e aos poucos criando novas paisagens vegetais e surpresas inesperadas no caminho, devo lembrar que estas surpresas são únicas para cada pessoa, portanto no momento em que sentir vontade de compartilhar, saiba que o outro estará vivenciando diferentes experiências, portanto nunca, nunca ouse quebrar a regra primeira e principal.

O encanto é chegar no destino desejado, é lá que tudo acontece de fato, mas para isso, durante a caminhada devemos nos concentrar em tudo que queremos deixar por lá, este portal se abre apenas uma única vez para cada pessoa, portanto qualquer escolha equivocada não terá retorno, peço que tomem cuidado com as escolhas antes de findar esse primeiro ciclo.

Mas a casa está e vai continuar, quiçá um dia em ruínas, quando o portal se abrir quem puder ver e sentir esse lugar, não vai se arrepender, com certeza quando voltar terá feito a descoberta ou vai obter a resposta que faltava, mas a bagagem sempre nos pregará peças.

Então apenas encontre a casa e aproveite.



domingo, 7 de agosto de 2011

Senso

Estar aqui e não estar,
respirar pra saber que está vivo,
quando olho nos seus olhos, mas não os vejo,
eclipsado pelos pensamentos que atormentam,
perdido nas noites vazias,
sombras, que ora são monstros,ora o reflexo da alma.
Onde foi parar o brilho daqueles olhos?
O encantamento de antes, agora não passa de ilusão.
Ainda existe conforto no sono profundo, é nele que tudo se transforma,
mas o amanhecer sempre chega novamente, e o despertar é inevitável.
Não tem sensação que se compare ao poder de sonhar acordado,
mas ninguém vive de sonho, é ela a esperta e cruel realidade que tem dominado.
É ela que está fazendo isso,
como sempre uma carrasca do tempo,
A vilã de todas as gerações,
Ela não perdoa, não devolve,
A máquina mais incrível e menos necessária.
Faminta por mais decepções, ela é pesada,
Sabe o que quer, sabe que pode, sabe que brilha.


Foto: André Abreu

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A porta

A conversa tinha sido boa, as respostas afiadas, mas o pensamento, esse sim não deixou a desejar, mudou o rumo das coisas, inverteu os sentidos e descobriu tudo o que queria saber. Foi além e percebeu que era só controlar a situação o que lhe agradava. 
Se sentir no controle do mundo era o que desejava, mas como não tinha o mundo em suas mãos, controlou o único que acreditava. Eclipsado por suas palavras, foi mudando, aceitando, deixando de lado o que realmente acreditava. 

Como pode um ser tão fraco se tornar invencível, quando acha a porta do imaginário? 

Abriu a porta, entrou, cruzou a ponte pouco iluminada, e começou sua pequena revolução, trocou fios vermelhos por cabos grampeados, desligou toda a instalação responsável pelo ato de decisão, quebrou placas e construiu muros onde antes estavam localizadas as entradas, pintou os vidros de preto, e por fim sugou todos os desejos. Saiu lentamente, e no caminhar admirava sua obra, feliz por ter dominado mais um território, mesmo sabendo que este tenha ficado assim, tudo e nada sem memória.
Foto: André Abreu

sábado, 30 de julho de 2011

Só e o vento

A chuva fina cai novamente lá fora, e a sensação de que o vazio tomou conta do quarto é maior, posso escutar o vento correndo pela fresta da janela, passo a passo ele esfria o quarto. Temer o frio é como temer o diagnóstico, não dá pra saber, a espera deixa tudo pior.
E lá vai o vento livre ora contínuo, ora sem ritmo, cantando a música da alma mais errante, mais feliz.
Nunca foi possível aprisionar o vento e nunca será, tentam recriar sua sensação mecanicamente, mas uma brisa de mar jamais será substituída. 
Uma alma errante foi aprisionada em um corpo que teme demais, que sente demais, essa alma poderia ser um vento, aquele que bagunça nosso cabelo quando dobramos a esquina, ou o vento que transforma a morena bonita, na mais bela de todas as mulheres. Mas presa aqui nesse corpo ela não sabe e não conhece, as vezes por conta do cárcere ela se zanga e magoa tudo e todos a sua volta, mas quando faz isso se machuca mais ainda e perde a força de fugir dali. Está a cada dia mais conformada e assim vai ser até o dia que os muros da prisão estiverem fracos o suficiente para libertar novamente esse vento, porém nunca mais será o mesmo furacão, nem talvez uma brisa leve. 
Esse vento tem um único desejo antes de sumir, isso é só o que importa. 
Poder encontrar pela última vez aquela morena de olhar penetrante e ter certeza de que deu algum momento de felicidade a ela, e mais uma vez beijar seus belos cabelos com seu último suspiro de vento.


Foto: André Abreu

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Lili

Era ela, a mais simpática,
Sempre recepcionava bem as pessoas,
Era de casa, não gostava de noitadas.
Estava sempre rouca, mas nunca de cara fechada.
Lili, faz falta
Lili não volta
Nunca antes tinha cruzado a linha que separava o certo do desconhecido.
Mas esse dia chegou, a curiosidade é a culpada.
Aqueles olhos se foram,
As vezes ainda sinto sua presença,
Era ela que sempre estava lá para abrir a porta.
Lili, Lili
Agora está tudo tão solitário e desprotegido.
Mas o tempo deles é diferente do nosso.
Eles não fazem planos, não se consomem.
Agora explica,
Lili se foi
Lili se acalma.


Fumaça

Me perdi um dia, em uma nuvem de fumaça.
Era leve e branca,
Constante e destemida.
Ia longe, era a mudança chegando

Mas porque a nuvem não vai embora sem deixar rastros?

Agora é hora de seguir em frente.
O seu momento chegou,
Saia da fumaça.
Mostre quem está ai dentro.
Não fique nem mais um momento parado.

Fumaça Foto: Claudio Silveira

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Felicidade

Não se compra, não se espera, apenas acontece.
Um dia desses, mais especificamente a 1 ano e 364 dias, estava eu sozinho, mas acompanhado,
Confuso, mas acompanhado
Sumido, mas acompanhado
Até que então foi tudo verdade, ela me olhou e me disse, justamente o que eu não estava esperando.
Surpresa, felicidade?
Não sei dizer, mas ali eu já sabia, tinha encontrado quem eu procurava.
Toda nossa história foi marcada, 
Presenteamos a nós mesmos com uma antiga cidade.
Ganhamos a nossa música de trilha sonora, sem nem mesmo nunca ter curtido aquela banda.
Conversamos, e como conversamos!
Aceleramos os dias da semana, porque logo o fim de semana tinha de chegar, 
Rimos muito juntos.
Viajamos,
E agora, o que a vida nos reserva?
Essa pergunta eu só quero descobrir depois,
Porque cada dia com ela é tudo novidade, 
Cada beijo é como se fosse o primeiro, 
é simples e complexo
é ontem e com toda certeza digo que também 
Será amanhã.

Nós Foto: André Abreu



terça-feira, 24 de maio de 2011

dizer sim, será adeus?

Ciclos reprisados Foto: Claudio Silveira

Por que alguns atos, tão simbólicos mexem tanto com o nosso ponto de equilíbrio?
talvez isso seja um sinal da nossa completa falta de resistência.
Ali naquele momento em que é tudo ou nada, dizer sim ou não pode de fato mudar tudo.
Um sonho que se realiza, ou será o fim de começo.
Mudar carece de muita certeza,
mas sobretudo de vencer o medo do escuro, de apenas ter paciência.
Uns sentem na flor da pele, na lágrima que escorre,
outros são fortes, isso é só aparência
sentem até mais, e depois perdem certeza.
Viver é assim, é abrir mão,
é pedir a mão
é sonhar
e em seguida tropeçar na realidade.
Foi assim que fomos feitos, e assim continuaremos a fazer
a continuação é sempre a mesma, mudam as dores, mudam as cores,
Mas é sempre exatamente a mesma coisa.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Chegou!

Todos esperam por esse grande dia,
almejar a mudança,  acreditar no futuro, esperar.
E bem que este dia chega, e nos torna melhores, mais felizes
uma sensação de bem estar corre por todo o nosso corpo, as pupilas dilatam, tudo parece resolvido,
e realmente está, daqui pra frente tudo será cada vez mais e mais perfeito.
Claro que haverá desgaste, mas a escolha foi tomada.
As páginas em branco agora estão escritas,
A confusão acabou, a história se encaixou,
A tempestade apenas começou.
''Ao Natural'' Foto: Carolina Teixeira

terça-feira, 26 de abril de 2011

Conspiração

Já foram várias tentativas, todas falharam, 
hoje quero e não posso,
tento e não consigo, me esforço e logo desânimo.
Passam as horas, eram dez da manhã, já são duas da tarde.
Olho no relógio, e me confundo com os ponteiros. 
Será que hoje tudo está pelo avesso?
Volto ao compasso da rotina, busco calma na correria,
Escuto o telefone tocar, cada vez que toca, parece que sei quem está chamando
as vezes ele toca apressado, afobado, louco para desabafar, 
outras vezes toca aos poucos, sem pressa para falar,
e quando ouso correr o fone para tentar lhe chamar, algo muda meu caminho
e o mesmo não consigo alcançar.

Lili: a gata vampira Foto: André Abreu

sábado, 23 de abril de 2011

Passeando

Voltar a ser o seu de outros seres.
Estranho, inevitável?
Fantasiar personagens, ser apenas o que quiser e quando quiser.
Olhar o sol sem filtro, salgar a vista no mar,
cegar esse alguém que não sei quem, não sai da cabeça.
Ir, voltar, relembrar o que não aconteceu,
acreditar na realidade que estão vendendo, temer, se decompor e ser novamente o mesmo.
Marionete  Foto: André Abreu

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Enjoo Constante

Quer me dizer quando isso vai acabar, quanto é suficiente para você?
Vai drenar tudo e todos, vai desobedecer, vai desejar e não poder.
Saiba que isso é cada vez mais insuportável, doloroso. 
Minha presença se faz desnecessária, afinal todo o amor que é seu, é só seu.  
Eles te amam? Será que te querem bem?
Chorar é necessário, mas quando as lágrimas não querem rolar, tudo fica mais difícil
A respiração fica forçada, o corpo responde, os dentes se apertam.
Mas porque ficar e continuar, mesmo quando a vontade é de fugir e se esconder.
O medo tem cuidado de mim, mas também está me matando.
Deixe morrer. Aos poucos vou vendo o horizonte mais próximo, não vou olhar, não vou voltar.
Não vou carregar essa chama, que cada vez mais está sumindo
Você sabe bem como diminuir essa força.
No final é apenas solidão.
Não posso mais viver meus sonhos, não há tempo,
Não devo temer, apenas ter certeza
A decisão já está tomada.
Era agora, Será ontem, Foi amanhã
Foto: André Abreu


segunda-feira, 18 de abril de 2011

O Começo

Ontem eu achava que tudo demorava  a passar, reclamava, dizia não aguentar mais aquele momento, mas hoje, é a saudade que bate a minha porta.
Ignorar o tempo, ter a sensação de que ele demora, é o maior erro. Ele passa tão depressa, que quando olhamos para trás, a sensação de que ficou algo por fazer, é inevitável.
Arrependimento não vale a pena, desistir agora, também não é opção, o tempo, não volta, não nos dá outras chances, mas quando percebemos que ele não quer nos esperar, mesmo negando sua contagem, quebrando relógios e amizades, trocando a noite pelo dia em busca de algo que deixamos no passado e hoje nem nunca conseguiremos recuperar, podemos sim mudar o ritmo, trocar as personagens, correr em disparada e tentar alcançar a corrida da vida que nunca para, mas um dia e nesse dia, iremos saber que o relógio, está pronto para detonar.

Edifício São Vito (atualmente em processo de demolição)- Foto: André Abreu

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Pombas, Ratos e Baratas

Ando pela cidade, escuto o barulho natural da vida em sociedade.
Todos nós nos olhamos, nos perguntamos, quem realmente somos.
Vou caminhando e estudando as pessoas ao meu redor, não sei se faço isso apenas por diversão ou se é apenas mais um dos meus momentos de solidão.
Comem, andam, respiram, são muitos, gostam de se aglomerar, estão sempre aos montes.
Estão todos infectados e apressados, buscam algo que nunca encontram, sonham alto mas andam baixo.
Será que existe parasita no mundo capaz de superar este que vos falo?

Palmo, Foto: André Abreu Mai/2009

sábado, 12 de março de 2011

Bom Dia

Por que desejar Bom Dia ?
Todos os dias são sempre iguais o simples ato de desejar ''Bom Dia'' pode melhorar ou quem sabe piorar.
Tem pessoas que dizem estas palavras apenas por dizer, já esqueceram do significado das mesmas, e dizer por falar ou falar por dizer ficou tão vazio que se perdeu.
Mas voltemos ao dilema inicial, quando se deseja alguma coisa, temos de ter certeza que realmente queremos aquilo, porque depois fica difícil de deixar para traz o desejo, aos poucos vamos adiando o inevitável, mas o fim sempre chega.
O que é um ''Bom Dia'' para você que está gastando seu tempo em ler isso?
Pense bem então antes de  responder e pense mais ainda antes de dizer ''Bom Dia'', pois para um assassino em série um ''Bom Dia'' pode ser matar mais, já para um ladrão pode ser fazer mais assaltos, para um traidor, pode ser trair inconseqüente mais e mais.
Será que vale apena continuar sendo tão trivial, e educado.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Por que esse olhar?

Esse olhar já não reconheço, não sei o que se passa mais, percebo apenas os detalhes mas não consigo visualizar o todo.
Essa sensação pode ser o sinal do terremoto, o vento frio do sul anunciando um inverno duradouro, ou apenas mudanças inevitáveis.
Tudo agora começou a passar lentamente, já não tem mais música de fundo, apenas o apito ensurdecedor do silêncio.
As cores se foram, os desenhos apagaram, as canetas secaram, sobrou apenas o papel em branco, a sala vazia, já não há mais discursos, descontos ou discórdias... Acho que chegou a hora de decidir qual caminho arriscar, se ficar ou partir, se desistir ou pular agora de braços abertos nesse profundo branco e colorir novamente com a unica cor que ainda nos resta e pulsa sem parar, e a unica que com o tempo muda quando coagulada,
Essa tinta ainda um dia, há de escapar!

O Encontro

Suspeito, finjo
Acredito e logo em seguida desconfio
Já nem mesmo sei se tudo isso não passa de mentiras
Pesadelos, desencontros.
Sofro, porém calado
O silêncio sempre esbarra com a verdade

Posso eu ainda acreditar nas tuas palavras?