Solitária, abandonada, era ela.
Estava lá destelhada e sem vida, mas por um momento tudo começou a girar e transportado para outro tempo pude apenas como observador, rever sua existência, sua importância, e por fim seu destino. A caminhada até lá, não é das mais complicadas, mas o relvado tomou conta do caminho, alguns buracos e galhos que imitam serpentes também, vale respirar fundo e sentir o ar puro, adocicado pelas flores nativas.
Esse caminho, não é apenas uma estrada antiga a ser vencida, mas sim um portal de transformação, pode purificar, como também pode aprisionar, faz renascer e também morrer.
Sendo uma estrada velha de terra, que não tem mais sua rota marcada pelos carros inocentes, vive tranquila.
Passar por lá, é um momento único, mas algumas regras devem ser respeitadas, a principal delas é o silêncio, o total silêncio deve ser mantido, apenas o som natural da floresta deve se fundir com roçar da relva na barra da calça, o momento deve ser de total desapego, as curvas vão surgindo e aos poucos criando novas paisagens vegetais e surpresas inesperadas no caminho, devo lembrar que estas surpresas são únicas para cada pessoa, portanto no momento em que sentir vontade de compartilhar, saiba que o outro estará vivenciando diferentes experiências, portanto nunca, nunca ouse quebrar a regra primeira e principal.
O encanto é chegar no destino desejado, é lá que tudo acontece de fato, mas para isso, durante a caminhada devemos nos concentrar em tudo que queremos deixar por lá, este portal se abre apenas uma única vez para cada pessoa, portanto qualquer escolha equivocada não terá retorno, peço que tomem cuidado com as escolhas antes de findar esse primeiro ciclo.
Mas a casa está e vai continuar, quiçá um dia em ruínas, quando o portal se abrir quem puder ver e sentir esse lugar, não vai se arrepender, com certeza quando voltar terá feito a descoberta ou vai obter a resposta que faltava, mas a bagagem sempre nos pregará peças.
Então apenas encontre a casa e aproveite.