Foto: Claudio Silveira

Frase da Semana

''The grass was greener
The light was brighter
The taste was sweeter
The nights of wonder
With friends surrounded''
Trecho da Música ''High Hopes'' - Pink Floyd

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Escutando

Escuto falar,
Escuto e reflito,
isso é complicado, pois descubro o que não quero saber,
Já foi o tempo que não fazia sentido,
foi o tempo e eu percebi, que diferentemente das outras vezes,
era mentira, era a tentativa de dizer o contrário.
Não visita, só espera a rotina
Proibiu e agora perdeu o controle.
Perdi o controle, e me mudei,
Sei que existem outros mundos também
Só não me faça pensar que fui escolhido,
São só apenas batalhas pessoais,
Decidi, 
Mas será que consigo respeitar meus desejos?


terça-feira, 30 de agosto de 2011

Rara explosão

Assim como o Sol, e seus de picos de atividade, e tudo o que causa nos planetas, começo a relembrar daquele verão em que tudo era novidade. Os amigos estavam todos juntos pela última vez. Naquele passado distante sob o Sol, iluminados, irradiados e alucinados por tudo que estavam prestes a viver naquela última semana juntos. Não dormiam, queriam aproveitar tudo, farrear, rir sem parar. 

Tiveram experiências incríveis, conheceram gente que nunca mais viram, mas lembrar desses acontecimentos, remetem minha mente ao Sol e sua rara e solitária explosão.

Seria um sinal que, de tempos em tempos ele estivesse recarregando suas forças, para pedir ajuda de um amigo distante?

Vivendo lá sempre rodeado, não consegue se aproximar de ninguém, quer voltar para aquele verão, quer poder se esquentar novamente como já não consegue mais.

Manda sinais desesperados, gasta de 11 em 11 anos suas forças para tentar contato, sempre frustados,
um dia o analista lhe falou sinceramente, que esse tipo de atitude estava já passando dos limites, que sua obrigação era apenas iluminar calado.

Segue então o Sol, dia a dia no seu vazio espacial, 
Irradia, em uma composição espectral
Não por opção, apenas por distração, organiza o futuro, mantém vivo, 
mas não desiste das mensagens sazonais.



segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Palpite

Parece que quanto mais fugimos de situações embaraçosas, mais surgem oportunidades para que isso aconteça. São nesses momentos que me arrependo de ter tentado ser  simpático, quando minha vontade era de explodir. Já não posso mais com trivialidades de igreja de sobre loja, já não suporto esse ar de superioridade, quando que, pra ser alguma coisa sempre precisou do empurrãozinho alheio.

Afinal de contas será que foi opção ou falta dela, escolheu a dedo ou foi desespero?

Senti raiva, muita raiva, me controlei, absorvi, estou ficando preparado, em uma única noite consegui ouvir tudo o que não queria.  Algo me dizia horas antes – Não vá, você sabe o que vai acontecer!  – mas como sempre passo por cima da voz da minha consciência insana.
Algumas pessoas, devido a sua imensa mediocridade se alimentam da felicidade alheia, mas são justamente essas, que sabem escolher cuidadosamente suas presas. Fui uma presa, agora escolhi a cor, escolhi o sentimento e juro pra mim mesmo, que não vou mais deixar a porta aberta.

Viver esses pequenos conflitos internos é um caminho extremamente impiedoso, não é fácil encontrar atalhos, não é fácil achar a saída, não há placas, mas por todos os lados vem palavras de ordem.
Decidi não obedecer mais, 
decidi dizer não, 
decidi que agora não vou mais só absorver todo essa maldade, 
mas sim escarrar o dobro de veneno.
Porque ou ele sai ou me mata de desespero!


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A Casa das memórias perdidas

Solitária, abandonada, era ela.
Estava lá destelhada e sem vida, mas por um momento tudo começou a girar e transportado para outro tempo pude apenas como observador, rever sua existência, sua importância, e por fim seu destino. A caminhada até lá, não é das mais complicadas, mas o relvado tomou conta do caminho, alguns buracos e galhos que imitam serpentes também, vale respirar fundo e sentir o ar puro, adocicado pelas flores nativas. 

Esse caminho, não é apenas uma estrada antiga a ser vencida, mas sim um portal de transformação, pode purificar, como também pode aprisionar, faz renascer e também morrer.
Sendo uma estrada velha de terra, que não tem mais sua rota marcada pelos carros inocentes, vive tranquila. 

Passar por lá, é um momento único, mas algumas regras devem ser respeitadas, a principal delas é o silêncio, o total silêncio deve ser mantido, apenas o som natural da floresta deve se fundir com roçar da relva na barra da calça, o momento deve ser de total desapego,  as curvas vão surgindo e aos poucos criando novas paisagens vegetais e surpresas inesperadas no caminho, devo lembrar que estas surpresas são únicas para cada pessoa, portanto no momento em que sentir vontade de compartilhar, saiba que o outro estará vivenciando diferentes experiências, portanto nunca, nunca ouse quebrar a regra primeira e principal.

O encanto é chegar no destino desejado, é lá que tudo acontece de fato, mas para isso, durante a caminhada devemos nos concentrar em tudo que queremos deixar por lá, este portal se abre apenas uma única vez para cada pessoa, portanto qualquer escolha equivocada não terá retorno, peço que tomem cuidado com as escolhas antes de findar esse primeiro ciclo.

Mas a casa está e vai continuar, quiçá um dia em ruínas, quando o portal se abrir quem puder ver e sentir esse lugar, não vai se arrepender, com certeza quando voltar terá feito a descoberta ou vai obter a resposta que faltava, mas a bagagem sempre nos pregará peças.

Então apenas encontre a casa e aproveite.



domingo, 7 de agosto de 2011

Senso

Estar aqui e não estar,
respirar pra saber que está vivo,
quando olho nos seus olhos, mas não os vejo,
eclipsado pelos pensamentos que atormentam,
perdido nas noites vazias,
sombras, que ora são monstros,ora o reflexo da alma.
Onde foi parar o brilho daqueles olhos?
O encantamento de antes, agora não passa de ilusão.
Ainda existe conforto no sono profundo, é nele que tudo se transforma,
mas o amanhecer sempre chega novamente, e o despertar é inevitável.
Não tem sensação que se compare ao poder de sonhar acordado,
mas ninguém vive de sonho, é ela a esperta e cruel realidade que tem dominado.
É ela que está fazendo isso,
como sempre uma carrasca do tempo,
A vilã de todas as gerações,
Ela não perdoa, não devolve,
A máquina mais incrível e menos necessária.
Faminta por mais decepções, ela é pesada,
Sabe o que quer, sabe que pode, sabe que brilha.


Foto: André Abreu

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A porta

A conversa tinha sido boa, as respostas afiadas, mas o pensamento, esse sim não deixou a desejar, mudou o rumo das coisas, inverteu os sentidos e descobriu tudo o que queria saber. Foi além e percebeu que era só controlar a situação o que lhe agradava. 
Se sentir no controle do mundo era o que desejava, mas como não tinha o mundo em suas mãos, controlou o único que acreditava. Eclipsado por suas palavras, foi mudando, aceitando, deixando de lado o que realmente acreditava. 

Como pode um ser tão fraco se tornar invencível, quando acha a porta do imaginário? 

Abriu a porta, entrou, cruzou a ponte pouco iluminada, e começou sua pequena revolução, trocou fios vermelhos por cabos grampeados, desligou toda a instalação responsável pelo ato de decisão, quebrou placas e construiu muros onde antes estavam localizadas as entradas, pintou os vidros de preto, e por fim sugou todos os desejos. Saiu lentamente, e no caminhar admirava sua obra, feliz por ter dominado mais um território, mesmo sabendo que este tenha ficado assim, tudo e nada sem memória.
Foto: André Abreu