as memórias estavam surgindo novamente, como sempre faziam.
Eram fantasmas do passado, agora se fundindo com os do presente.
Mais uma vez estavam lá a espreitar, esperando ele dobrar a esquina.
Aos poucos, todos os tempos vividos e também todos os que não foram vividos,
devido a sua saída opcional dessa realidade,
viraram fotos de um álbum de recordações, que nunca existiu.
A sensação de não poder estar mais lá, também era profundamente marcante,
mas ao mesmo tempo,era a proteção que ele queria.
Era simplesmente poder viver junto e feliz,
errando e acertando
porém sem julgamentos, ou cobranças inesperadas.
Mas em um dia,
recordou daquela noite em família,
os avós já idosos, geradores de uma grande prole,
os parentes próximos e os não tão próximos se reuniram.
era só o inicio do fim.
Naquele momento ele nada conhecia,
apenas estava alegre por esperar um presente, de alguém que de longe viria.
A árvore montada, a música tocando na vitrola,
E foi assim que tudo mudou.
O medo de hoje,
é um apagão do passado, somado a rejeição de outro dia,
ou talvez ao fato de não tolerar a manipulação de seus pensamentos.
Acredita fixamente naquele ponto, cria um foco único, confia e se entrega.
Passa o tempo e se arrebenta no caminho,
Mas aprende,
que um ponto é mais fácil de apagar da vida, do que o texto inteiro.
| Foto: André Abreu - Virada Cultural de 2009 |

