| Foto: Carolina Teixeira |
Começo a reparar diariamente no cotidiano da cidade, como funciona, como as pessoas se relacionam com ela. Não consigo tirar os olhos da paisagem, nem por um segundo. Faço sempre o mesmo caminho, mas cada dia vou reparando e descobrindo mais detalhes.
Um dia desses, um pássaro voo por um bom tempo ao lado do vagão do metrô, parecia que brincava de apostar corrida com o trêm.
Durante aquele periodo, minha mente voo junto, para um lugar mágico, não pensava em nada, apenas sentia aquele momento como se estivesse voando junto, livre, sem jugamentos, sem medo, nada me preocupava.
Uma emoção intensa me dominou, podia sentir o esforço daquele animal tão perfeito, sua determinação em continuar mesmo sem saber o que estaria por vir.
Por um instante comecei a olhar e já não via mais o pássaro, via um rapaz jovem de olhos tristes me fitando através da janela do trem, era eu mesmo, como aquilo era possível - respirei fundo e senti o vento bater no rosto.
E lá estava eu novamente, olhando aquele animal.
O voo acabou, pássaro para um lado, eu pra outro, e toda a fantasia foi embora, os problemas voltaram, a dor percorreu o corpo, e mais uma vez sozinho estava eu.
Só que dessa vez mudei e aprendi, que todos os dias, não precisam ser amargos e sem graça, depende de nós mesmos pegar o real e transformar em ideal.
São pequenos detalhes que nos fazem sorrir, e se for necessário se agarrar apenas a eles para viver bem, isso já é o suficiente.
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