A conversa tinha sido boa, as respostas afiadas, mas o pensamento, esse sim não deixou a desejar, mudou o rumo das coisas, inverteu os sentidos e descobriu tudo o que queria saber. Foi além e percebeu que era só controlar a situação o que lhe agradava.
Se sentir no controle do mundo era o que desejava, mas como não tinha o mundo em suas mãos, controlou o único que acreditava. Eclipsado por suas palavras, foi mudando, aceitando, deixando de lado o que realmente acreditava.
Como pode um ser tão fraco se tornar invencível, quando acha a porta do imaginário?
Abriu a porta, entrou, cruzou a ponte pouco iluminada, e começou sua pequena revolução, trocou fios vermelhos por cabos grampeados, desligou toda a instalação responsável pelo ato de decisão, quebrou placas e construiu muros onde antes estavam localizadas as entradas, pintou os vidros de preto, e por fim sugou todos os desejos. Saiu lentamente, e no caminhar admirava sua obra, feliz por ter dominado mais um território, mesmo sabendo que este tenha ficado assim, tudo e nada sem memória.
| Foto: André Abreu |
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